“Não me vejo em outra profissão”, diz Malu que é chefe de família e motorista de ônibus há 4 anos

O pai e o tio foram motoristas de ônibus. Mãe da Maria Eduarda, 6 anos, e do Gabriel, 9 anos, ela começou a trabalhar cedo, aos 15 anos de idade, para ajudar os pais. Maria de Lourdes da Silva, 37, a Malu, é motorista de ônibus na zona sul de São Paulo há 4 anos. Ela dirige na linha 7063-10 – Jd. Macedonia – Term. Campo Limpo. Todos os dias ele cruza os bairros Jd. Macedonia, Mitsutani, Rosana e Campo Limpo.

Ela sai de casa todos os dias 3h40 e sua primeira partida ocorre às 4h. Como mora próximo do ponto final dá uma corrida em casa para ver como estão as crianças que são cuidadas pela tia até a hora que volta do trabalho. As crianças estudam na mesma escola. Entram às 12h45 e saem 17h20.

Para ela ser motorista de ônibus em São Paulo é maravilhoso, muito gratificante. “Estou mostrando minha capacidade. A Transwolff foi a única empresa que abriu as portas para as mulheres. Percebi que a partir daí outras empresas empregaram mulheres motoristas”, afirma.

Ela ainda completa: “É fantástico ser motorista de ônibus. É uma vitória que eu tenho na minha vida”, comemora. Quando chega em casa dá o café da tarde quando chega e 20h30 dá a janta. Brinca com eles, depois dá banho, troca de roupa e põe pra dormir. “Vou dormir em média às 23h.”

Às quartas, sextas e aos domingos vai ao culto das 19h40 às 21h30 na igreja “Família nas Mãos de Deus Pentecostal”. “Há 4 anos encontrei a paz e sabedoria para lidar melhor com as pessoas.” “É bom, é gratificante. Muita coisa conquistada com trabalho. Gosto de ser motorista e sempre ouço do passageiro ‘Como é bonito ver mulher dirigindo’”, diz rindo. “Tem uma senhora que me dá mimos e me fala “ela é a neta que eu não tive”. Ela embarca no Jd. Mitsutani”.

Balconista em farmácia larga a área da saúde para ser motorista de ônibus na zona sul de SP

Ana Ilma de Souza, 23 anos, é motorista de ônibus há 1 ano e seis meses, na linha Pq. América – Term. Sto. Amaro está há cerca de três meses. “As pessoas ficam abismadas ver uma mulher ao volante”, diz a jovem que já foi balconista em uma farma´cia em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. “Desde os 17 quis ser motorista não por incentivo do meu pai (que também é motorista de ônibus), mas era um sonho meu mesmo.”

“Não sei se é porque estou dentro do transporte, mas vejo como normal pelo menos pra mim ser mulher motorista de ônibus. Acredito que todo mundo deveria ser o que realmente quer. É satisfatório fazer exatamente o que gosta.”

Sobre ter o Dia Internacional da Mulher ela diz que pra ela significa tristeza e ao mesmo tempo alegria.

“Tristeza pelas mulheres que morreram nesse dia para que pudéssemos ganhar nosso espaço e feliz por todas ter ganho o seu espaço.”

Questionada se quem tem mais cuidado no volante ela é enfática na resposta. “Bom, creio que o cuidado não está muito relacionado com o gênero masculino nem feminino, mas sim com a responsabilidade que o profissional carrega nas costas.”

Acerca de um fato inusitado que ocorreu dentro do ônibus, ela lembrou de uma senhora. “Uma passageira com cerca de 50 anos me considera como se fosse da família, me dá muitos conselhos, me conta várias histórias, falando nisso estou devendo uma visita para ela.”

Formada em Administração, pai incentiva e filha vira motorista de ônibus

A motorista Vanessa Reis Santos, 24 anos, dirige na linha 7053-10 – Jd. Macedônia – Terminal Campo Limpo há 1 ano e 3 três meses na linha. Já trabalhou como assistente administrativo em uma oficina mecânica. O pai é motorista na mesma linha onde dirige: 7053-10 – Jd. macedônia – Terminal Campo Limpo. “A gente se cruza pelo caminho todo dia.”

Formada em Administração, ela conta que cresceu vendo o pai trabalhar no ônibus. “Quando era criança já ia para a garagem com meu pai pegar o ônibus. Quando fiz 20 anos, meu pai incentivou. Eu gostava mesmo era do ônibus.

“Meu irmão serve o exército, minha irmã faz nutrição, mas sou mais apegada ao meu pai. Aos 18 anos eu já era habilitada, aos 21, mudei a categoria.”

“Lembro que minha primeira viagem foi às 4h. Meu pai até embarcou no ônibus. Graças a Deus foi tudo perfeito. Me adaptei fácil, foi surpreendente. Fui a primeira mulher na linha”, conta orgulhosa.

Ela lembra que os idosos amam ver a mulher dirigindo. Elas veem mulher dirigindo. As passageiras elogiam. Elas têm confiança. A frase que ouvi de uma passageira que mais marcou “Parabéns, você está batendo preconceito.”

Em todo este tempo, jamais recebeu multa, se envolveu em acidente e nem recebeu reclamação no 0800 da empresa nem da SPTrans, empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade de São Paulo.

Ela é mãe da Lorena, de 1 ano e 10 meses. O marido, que é segurança, apoia ela exercer a função. “Não era motorista quando casamos, ele me dá maior força.”

“Para construir uma família não tem como só o homem trabalhar”, diz. “Passageiros dizem que sou uma boa motorista. Isso é gratificante.”

Empregada doméstica realiza sonho e se transforma em motorista de ônibus

A motorista da linha 6026-10 – Jd. Icaraí – Term. Sto. Amaro Edna Aparecida da Silva, 50, já foi empregada doméstica e operadora de caixa. Ele chegou a São Paulo no início dos anos 80 vinda da pequena Alto Rio Doce, um município de Minas Gerais com uma população de 33.815 habitantes
“Amo dirigir, adoro estar na rua, uma coisa que amo muito é minha profissão. Esse contato com o passageiro no dia a dia é muito especial”, afirma.
O filho de Edna, André Luiz, 24 anos, seguiu os passos da mãe, adora dirigir, por influência da mãe, e também é motorista de ônibus.

Caixa de supermercado é motorista do Serviço Atende

Angélica dos Santos Oliveira, 30 anos, motorista do Atende há um ano e meio mora em Marsilac, bairro mais afastado da cidade. De casa até a garagem são 38 km. Ela leva 1h30 para chegar e 2h30 para voltar, por conta da distância fica 4 horas dentro do ônibus das linhas 6l01-10 – Marsilac – Term. Varginha e 6091-10 – Vargem Grande – Term. Sto. Amaro.

Pra conseguir chegar às 5h na garagem, ela acorda às 3h e pega o primeiro ônibus, que sai às 4h. Para conseguir acordar na madrugada, Angélica é disciplinada e às 19h já está deitada.
Criança uma 31 anos. A inteligência. Lembra das coisas dele reportagem nome de cantor das músicas e canta. Transporta ele toda semana Ecoterapia mora no Colonia.

“A cada dia é um aprendizado trabalhar no Atende. Trabalho cheio de vontade de viver e fazer mais coisas. Estudar mais sobre eles. Inclusive dá vontade de estudar fisioterapia ou fonoaudiologia.”
No primeiro dia pensei em até ia desistir. Pensei comigo será que vou conseguir conviver com isso todos os dias?

“Trabalhando ao mesmo tempo sinto que tô ajudando. É muito gratificante”.

Depiladora chefe de família troca Sorocaba por São Paulo para trabalhar de motorista do Serviço Atende

Rivani Andreia dos Santos, 42 anos, é motorista do Serviço Atende desde o dia 14 de janeiro deste ano, era motorista de uma locadora de câmera desde novembro de 2017 em Sorocaba (SP). Já foi manicure, depiladora e cabeleireira. Apesar da família ser classe média, trabalha desde os 17 anos de idade.

“Sempre quis ser independente”, diz a ex-depiladora. “Quem lidava com estética na classe média alta é outra linha”, completa.

Moradora do Jd. S. Luís, no extremo sul da sul da cidade, mãe de Marcello, 17 anos, e Paulo, 9 anos, ela sai de casa todos os dias às 4h20 para assumir o serviço às 5h na garagem em Jurubatuba.
Ela já trabalhou em Sorocaba como instrutora do Detran-SP. manicure, depiladora, cabeleireira.

“A gente mais aprende do que ensina. É isso pra mim trabalhar no Atende”, sustenta. “Acho que é muito bonito ter esta data. Sendo que todos os dias são nossos dias”, afirma sobre o Dia Internacional da Mulher.

Como mora em São Paulo há pouco tempo, carrega o sotaque interiorano. “Trabalho com muita gente carente financeiramente e afetivamente, mães separadas, abandonadas pela mãe”, afirma. “Andar na periferia que não tem água encanada em alguns bairros, tem esgoto a céu aberto. Eles estão ali não por questão de escolha, mas de sobrevivência”, afirma Rivani.

Foi escolha minha. Pedi a conta justamente para eu poder participar com essas pessoas de uma maneira ou de outra queria participar até melhora minha vida pessoal. Você vendo a dificuldade dos outros, têm pessoas que nasceram sem os pés, mas estão felizes, às vezes você que nasceu perfeito, não procura nada para melhoria pessoal.

“Amo o que faço. É uma função que quero seguir em frente e não tenho prazo de validade para isso”, diz motorista do Atende

Angélica Rodrigues dos Santos, 23 anos, é motorista do Atende há três meses, era motorista da linha 6076-10 – Progresso – Term. Sto. Amaro.

“Pra mim está sendo muito gratificante transportar estas vidas. Estou me tornando uma pessoa mais humana, não que eu não seja. Está sendo muito gratificante. A paixão por ser motorista vem há muito tempo. Sempre achei interessante dirigir ônibus, sempre quis.

“Eu amo o que eu faço que é transportar vidas. É uma função que quero seguir em frente e não tenho prazo de validade pra isso.” “Ser mulher é ser a cabeça da família.

Leia as matérias nos links abaixo

http://recordtv.r7.com/jornal-da-record/videos/sobe-para-33-o-numero-de-mulheres-que-chefiam-familias-08032019

http://www.revistaportaldoonibus.com/portal/index.php/curiosidade-2/514-mulheres-no-transporte-uma-estrada-de-sucesso

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2095076283878901&id=485833904803155

https://diariodotransporte.com.br/2019/03/08/mulheres-mudam-de-profissao-para-serem-motoristas-de-onibus/