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Transwolff e Capitão América levam sobrinho de gerente do operacional para entrar em campo com time do Palmeiras

  • novembro 21, 2017

  • 1 comentário(s)

O cabo da Policia Militar Luiz Carlos de Paula troca a farda da Polícia Militar pelo uniforme do “Capitão América” para fazer um trabalho social com crianças que passam por tratamento médico. Ele também é do PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas).

No dia 18 de setembro caracterizado de Capitão América ele levou Gustavo Luiz Sanchez, 12 anos, morador do Pq. das Árvores, para assistir ao jogo entre Palmeiras e Coritiba no Pacaembu pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. A família de Gustavo também o acompanhou em uma van cedida pela Transwolff.

Gustavo faz quimioterapia para curar um câncer no cérebro. Ele é sobrinho de um dos gerentes do Operacional Celso Ribeiro.

Fazer valer a pena
Há 5 anos, durante uma tentativa de assalto na zona sul, o Cabo De Paula, 49 anos, levou três tiros a queima-roupa: um no abdômen, um na perna direita e outro no fêmur esquerdo, dos oito direcionados a ele, por pouco não fica paraplégico.

Ele tinha acabado de sair do batalhão, estava à paisana a caminho de casa. Ele guarda a data na memória: 22 de maio de 2012, um dia depois do aniversário da única filha do casal Marcia, 21 anos.
“Jurei a Deus que iria fazer minha vida valer a pena se eu tivesse ela de volta”. E fez. Ele firma um acordo com a garotada. Deixa o escudo do Capitão América na casa da criança, pede para ela tomar conta e diz que vai repassar para outra quando estiver curada, mas é só um incentivo para a criançada.

“No último dia da sessão, digo que é um presente, fica pra você”, conta o cabo. Nesta luta contra o mal, está ao seu lado a bancária Rosana, que a batizou de Mulher Maravilha, com voz firme e centrada diz que ser mulher do Capitão América não é tarefa fácil, afinal ele tem muito dever a cumprir e exige muito tempo.

“Às vezes, ele chega em casa cansado, mas leva um pouquinho de felicidade para as crianças, já é tão pesado o tratamento em si. O trabalho dele como policial é perigoso, me estressa muito, tenho muito medo. É corrido ele ser Capitão América, mas é gratificante. Traz muito benefício.”
A Mulher Maravilha conta que todos os pontos fortes que o marido têm, canalizou do Capitão. “Ele é um super herói mesmo.”

A filha Marcia, batizada por ele de Batgirl, fala sorrindo sobre o pai. Ela o define como sensível, fiel, educado, carinhoso e paizão. “Tenho orgulho dele. É emocionante o que ele faz. Tinha que ter mais pessoas para fazer isso. Tem muita gente precisando. Se tivesse mais gente assim, o mundo seria bem mais diferente”, acredita.

O Encontro
No dia 18 de setembro, o Capitão América iria entrar novamente em ação. Levar Gustavo Luiz Sanchez, 12 anos, o Gu, morador do Parque das Árvores (zona sul), para não só assistir ao jogo no Pacaembu entre Palmeiras e Coritiba válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas entrar em campo com o goleiro Fernando Prass.

Ele chega à casa de Gu com o motociclo com a bandeira verde e branca hasteada anunciando a chegada com uma espécie de megafone convocando ele e toda a família, que já estavam a espera do super-herói. Ele carregava um presente para a criança na motoca: um escudo do Capitão América adaptado com as cores do Palmeiras.

Ele sobe na garupa da moto, enquanto a família embarca na van cedida pela Transwolff com destino ao Paulo Machado de Carvalho, o famoso Pacaembu. Durante o trajeto, o veículo chama a atenção de motoristas e motoboys que buzinam e se arriscam em busca de uma foto e até de um selfie, inclusive nas marginais Pinheiros e Tietê.

Fã do goleiro, Gustavo realizou o sonho e entrou de mãos dadas com o atleta. Depois foi para a arquibancada assistir a vitória do seu time por 1 a 0 ao lado dos pais e das duas irmãs Geovanna, 19 anos, e Gabriella, 8 anos. “Estou muito feliz, realizei um sonho. É inexplicável a emoção.”
O gerente Operacional Celso Ribeiro, corintiano fanático, tio do Gustavo, deixou o clubismo de lado para ver o sobrinho ‘em campo’.

“Todos em casa ficamos muito emocionados quando vimos entrar em campo. Assistimos ao jogo inteiro e ficamos ansiosos quando a TV mostrava a torcida na arquibancada e ficamos na esperança ainda de vê-lo novamente”, disse o tio.

Questionado momentos antes de entrar no estádio, o que o leva a fazer este tipo de ação, diz que sente que o personagem meche com a autoestima da criança. Ainda nas dependências do estádio, o cabo de Paula se emociona. “Quero ver o Gustavo bem”, diz com os olhos lacrimejados.

Católico, diz que quando está em perigo ao fazer patrulhamento na periferia da zona sul lembra de uma citação da bíblia que o pai sempre lhe dizia: “Senhor, não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”.

“Tenho muita fé em Deus e N. Sra. vai nos ajudar. É só uma fase. Tenho certeza que tudo vai acabar bem”, diz o pai, o aposentado Silvio Luiz Oliveira, 41 anos.

A mãe, a professora Daniele Cristina Sanches Oliveira, 38 anos, diz que assim que recebeu a notícia ‘perdeu o chão’. “No outro dia entreguei nas mãos de Deus.”

Porém, é um aprendizado para a família, Gu está surpreendendo todos, não reclama, sempre com sorriso no rosto. Não foi um ano fácil para a família Oliveira, mas veio coisa: viagem para a praia, sítio, Parque da Mônica e agora conheceu o Capitão América. “Quem é o Gustavo? “É um menino feliz”, enfatiza Gu.

1 comentário

  1. debora disse:

    Excelente artigo! Já visitei o seu blog outras vezes, porém nunca
    tinha escrito um comentário. Pus seu blog
    nos meus favoritos para que eu não perca nenhuma atualização.
    Grande abraço!

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